6 de jul de 2014

Mais de mim mesmo

(Queria o quê? O blogue é meu!)






O bom jornalista é uma janela que deixa ver o que tem do outro lado da parede. O mau jornalista é o cara que constrói a parede.

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Só existe um caminho seguro para adquirir vivência e experiência: viver e experimentar.

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A unanimidade não é burra: é ficção. Ela simplesmente não existe. Se algo for apresentado a você como unânime, desconfie. Por trás das unanimidades, tem sempre algum interesse, alguma pesquisa furada, alguém querendo vender alguma coisa.

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As soluções surgem naturalmente quando procuramos as pessoas certas e lhes perguntamos: o que você me aconselha a fazer?

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Vicia como crack, alucina como LSD, faz a pessoa pagar micos como cachaça. Assim é ela, Dona Vaidade.

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A história não é contada necessariamente pelos vencedores, mas pelos sobreviventes.

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Por que os que recebem mais da vida são os que mais reclamam?

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Sofisticação é desligar o som pra ouvir a chuva.

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Às vezes, tudo o que impede uma pessoa de cometer um ato vil é a incapacidade de inventar uma boa desculpa.

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Diga sim ou diga não. Não deixe sem resposta. Deixar de responder, seja lá o que for, é uma falha de caráter abominável numa pessoa civilizada.

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As escolhas ocorrem invariavelmente. Quando você não escolhe, a vida escolhe por você.

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Quando eu era adolescente, imaginava o ano 2000 como algo muito distante, quase uma ficção. Hoje voltei a ter essa sensação em relação ao mesmo ano 2000.

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Cultivar uma amizade exige paciência como o bonsai e delicadeza como a ikebana. Perder um amigo é menos complicado: basta ser sincero.

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Não podemos mudar o passado, mas podemos mudar a forma como nos relacionamos com ele.

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O preconceito é o equivalente moral do nariz sujo. Todo mundo percebe, só o dono do nariz que não.

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Um homem batendo numa mulher, não importam as circunstâncias, os precedentes, as posições defendidas ou se este veste farda e aquele não, é sempre uma imagem chocante que não deveria ocorrer.

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Para quem procura nos lugares errados, uma vida inteira é pouco para encontrar.

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Se soubesse que ia ralar tanto, teria deixado outro espermatozoide passar na minha frente.

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Seja homem, fique firme e enfrente seu problema. A menos que ele tenha quatro patas, um par de chifres e pese meia tonelada. Então corra!



Foto da Lua: José C. Fineis



22 de jun de 2014

O falso Felipão e a festa de bicadas

Capa de Um estranho no ninho (One flew over the
 cuckoo's nest), de Ken Kesey, publicado no
ano em que eu nasci (1962). Este, por sinal, foi um dos
livros que mais me influenciaram na adolescência e
por toda a vida, mas essa já é outra história.

Por José Carlos Fineis

Sobre o episódio da entrevista com o falso Felipão, vejo que muitos jornalisas se comprazem em estraçalhar publicamente um colega, porque cometeu um erro. Agora eu pergunto: quem de nós -- digo, dos que estão metidos no fogo cruzado das redações, e não encastelados em cátedras ou coisas semelhantes -- nunca errou? 

Aponte-me um jornalista que não erra, e eu lhe mostrarei um grande mentiroso. No mínimo, ele acoberta seus erros. Ou nunca atuou na área.

Digo sempre que o bom jornalista não é aquele que não comete erros, mas sim aquele que sabe reconhecê-los com humildade e corrigi-los, com a máxima transparência. E foi isso o que o colunista em questão fez. O que mais querem que ele faça: que cometa suicídio ou vá embora do País?

A forma como está sendo criticado por pessoas que também erram me fez lembrar um trecho do romance Um estranho no ninho, de Ken Kesey, em que Randall Patrick McMurphy, o valentão que se faz passar por louco para não ir para a cadeia e acaba num hospício, diz aos colegas de terapia que eles parecem galinhas numa festa de bicadas.

Alguém pergunta o que vem a ser isso, e ele explica:

"(...) O bando avista uma mancha de sangue numa galinha qualquer e todos eles começam a bicá-la, sabe, até que estraçalham a galinha em pedaços, sangue e ossos e penas. Mas normalmente um par das aves do bando ganha também sua ferida na confusão, então é a vez delas. E mais algumas ficam machucadas e são bicadas até a morte, e mais outras e outras. Ah, uma festa de bicadas pode acabar com o bando inteiro em uma questão de horas, companheiro, eu já vi.(...)"

Então, colegas, boa festa de bicadas pra vocês. E preparem o traseiro, porque, da próxima vez que vocês errarem, já sabem o que vai acontecer.






16 de set de 2013

Inversão cronológica gera versão distorcida sobre médicos cubanos


Por José Carlos Fineis


Um jornalista (e aqui incluo todos os que escrevem profissionalmente para jornal) deveria ter o cuidado de checar pelo menos a ordem cronológica dos fatos antes de tecer relações entre eles, mas parece que nem a chamada grande imprensa tem feito isso. 
Acabo de ler dois artigos sobre a importação de médicos cubanos na Folha de S. Paulo, segundo os quais a ideia de trazer médicos de Cuba foi uma "resposta apressada" e eleitoreira aos protestos de junho.
Mas como isso poderia ser possível, se o anúncio de que o governo pretendia trazer 6 mil médicos cubanos ocorreu no dia 6 de maio, portanto, mais de 40 dias antes das grandes manifestações populares?
A prova da anterioridade do programa está no link lá de baixo, da Veja. A notícia foi dada por toda a imprensa, na época. Na verdade, ao fazer o anúncio, o governo já vinha cuidando do assunto há mais tempo.
O programa federal (e isto não é uma defesa do PT, apenas uma correção dos fatos com base naquilo que a própria imprensa noticiou) é anterior às manifestações, que ganharam corpo no dia 17/6.
Infelizmente, o leitor não pode aceitar como verdade tudo aquilo que é publicado. Bagunçar a cronologia dos fatos para criar falsas relações de causa e efeito é, também, um jeito de mentir.

Trechos dos artigos citados:

"(...) Agora, vejamos o lado do governo acuado pelas manifestações de rua que clamavam por transporte público, educação e saúde.
Talvez por falta do que propor nas duas primeiras áreas, decidiu atacar a da saúde. A população se queixa da falta de assistência médica? Vamos contratar médicos estrangeiros, foi o melhor que conseguiram arquitetar. (...)" (Drauzio Varela, Demagogia eleitoreira, Folha de S. Paulo, 7/9/2013)
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarella/2013/09/1337995-demagogia-eleitoreira.shtml

"(...) Que a medida do governo Dilma é eleitoreira, tomada às pressas como resposta às manifestações das ruas, ninguém duvida disso. Tampouco há dúvidas sobre a insustentabilidade do programa a médio e longo prazo. (...)"  (Cláudia Collucci, "Erramos. A população ficou contra a gente", dizem médicos, Folha de S. Paulo, 11/9/2013)
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/claudiacollucci/2013/09/1340316-erramos-a-populacao-ficou-contra-a-gente-dizem-medicos.shtml

E aqui a notícia original, de 6 de maio -- portanto, mais de 40 dias antes das grandes manifestações em que a pauta da saúde (entre outras) foi incluída ao lado da questão do transporte coletivo.
http://veja.abril.com.br/blog/politica/governo-dilma-rousseff/governo-negocia-importacao-de-6-000-medicos-cubanos/